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Brás/Roosevelt

Estação Brás (antiga Roosevelt)
Praça Agente Cícero, s/nº - Brás - São Paulo/SP - Fone: 6942-1112
Inauguração: 16/02/1867

 

Histórico

Os ingleses deixaram mais estações ferroviárias na Grande São Paulo do que geralmente se imagina. Além da Estação da Luz e da Vila de Paranapiacaba, eles construíram diversas estações - a maioria de pequeno porte - ao longo da linha Santos a Jundiaí (atuais linhas A e D), que foi explorada pela britânica São Paulo Railway desde a segunda metade do século passado até 1946. Dez dessas estações sobrevivem até hoje, com pequenas alterações construtivas e funcionais. A maioria delas foi reconstruída ou bastante descaracterizada nos anos 50 e 80, por empresas sucessoras da SPR.

A influência inglesa nos primórdios da ferrovia no Brasil foi imensa. Os ingleses não só implantaram linhas e ergueram estações como influenciaram os brasileiros a construírem no mesmo estilo. A operação e sinalização viária também se deixou influenciar pela maneira inglesa de trabalhar. As linhas A, D, E e F continuam operando com "mãos inglesas" (os trens trafegam pela esquerda, ao invés de pela direita, como é mais usual). No Estado de São Paulo, há dezenas de estações erguidas de acordo com o mais rigoroso estilo britânico, como as estações de Rio Claro, Araraquara e Campinas. O quadro se repete pelo País.

A maioria dessas estações, das linhas A e D, foi construída entre 1867 e 1891. O corpo da estação tem características de uma casa térrea, com cobertura de telhas francesas e alvenaria em tijolos aparentes, vermelhos. É freqüente o uso de ornamentos com referências vitorianas e o uso do ferro fundido trabalhado, em especial em estruturas de coberturas de plataformas e em passarelas metálicas.

Do ponto de vista funcional, foram concebidas para pequenas demandas de passageiros e em um meio urbano muito diferente do atual, em especial no que diz respeito ao tráfego de veículos e pedestres, hoje intenso demais para conviver de forma eficiente e segura com as passagens em nível existentes, localizadas, via de regra, junto às estações.

Além de belas e historicamente valiosas, essas estações cumprem papel referencial nos bairros e nas cidades que ocupam.

As "estações inglesas" existentes são: Jundiaí, Várzea Paulista, Franco da Rocha, Caieiras, Perus, Vila Clarice e Jaraguá na Linha 7; Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Campo Grande e Paranapiacaba na Linha 10. Além dessas, parte da estação Brás e da Estação Luz. Essas três últimas estações podem ser consideradas as mais relevantes do ponto de vista histórico e arquitetônico desse período da ferrovia.

 

A Central do Brasil Paulistana

Construída no século passado, a Estação Brás, no começo, era constituída de duas estações independentes. A menor delas, a Estação Brás propriamente dita, atendia a linha Santos a Jundiaí, da São Paulo Railway - SPR. A outra, chamada de Estação do Norte, servia a zona leste e pertencia à Estrada de Ferro Central do Brasil (esta empresa, depois, passou para o controle da Rede Ferroviária Federal). A Estação do Norte teve o nome trocado para Estação Roosevelt, quando o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt morreu, no final da Segunda Guerra Mundial.

Muito pouco sobrevive hoje da construção original das duas estações, que foram unificadas física e administrativamente na década de 1990, quando a ferrovia metropolitana passou para o controle da CPTM. Ao modo das casas geminadas, elas foram construídas lado a lado, no mesmo terreno, e praticamente na mesma época. A Estação Brás foi erguida em 1867; a Estação do Norte, em 1875.

Erguidas no estilo neoclássico, as estações mantêm, das obras inaugurais, somente parte do telhado e um trecho da gare, com a torre e o relógio originais, além do desenho geral dos prédios. As sucessivas reformas e ampliações acabaram por descaracterizá-las. A verdade, contudo, é que elas têm imenso valor histórico. As estações sempre cumpriram um papel estratégico fundamental na ferrovia metropolitana e estadual.

A Estação Brás da Santos-Jundiaí foi, em seu início, uma das principais portas de entrada dos imigrantes que vieram tentar a sorte em São Paulo. Perto da estação, ficava a Hospedaria dos Imigrantes, prédio imponente, onde os imigrantes recém-chegados se cadastravam e se alojavam. Hoje, no edifício, funciona o Museu da Imigração. Já a estação da Central do Brasil recebia muita gente do Nordeste, que vinha desde o Rio de Janeiro - daí o nome Estação do Norte.

 

Centro nevrálgico

A Estação Brás, nos dias atuais, é um dos centros nevrálgicos da rede de trens metropolitanos e recebe cerca de 100 mil passageiros/dia, atendendo as linhas E e F, que servem a região leste, a Linha 10, que corta parte a região sudeste e o ABC, e a Linha 7, que vai para a cidade de Jundiaí, na região noroeste. Mas a ligação com a zona leste de São Paulo sempre foi a mais destacada. As primeiras fábricas instaladas na cidade ficavam na área de influência direta da estação, os bairros do Brás e da Moóca.

Hoje com paredes totalmente de concreto, a estação lembra só vagamente a construção neoclássica original, com seus módulos assimétricos e as grandes janelas e portas distribuídas pela extensão dos prédios - elas tiveram, no entanto, o desenho original alterado. As três marquises na entrada da estação, também originais, de cerca de 5 metros de extensão, ajudam pouco a remeter a estação para o passado.

 

LINHAS DA CPTM
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